SHEIN: O BARATO QUE SAI CARO

Como que o consumo de roupas de baixo custo impactam a nossa vida.




Por Luiza Fernandes


Com a explosão de vendas online no Brasil durante o início da pandemia em 2020, a loja de e-commerce Shein garantiu um espaço nos armários de muitos brasileiros, por conta dos seus preços baixos e de seus lançamentos quase que imediatos de novas coleções e peças procuradas pelo público. Mas, mesmo com esse aumento de vendas e o baixo custo dos produtos, será que realmente vale a pena seguir essa moda e garantir uma peça de roupa da loja? E qual é o verdadeiro custo desse consumo?

A empresa Shein faz parte de uma linha de produção conhecida como fast fashion (moda rápida, em tradução livre), que se caracteriza pela fabricação de produtos em grande quantidade e pelo os seus consumos e descartes constantes, liberando semanalmente em seus sites diversas peças que acompanham as mais novas tendências da moda. Essa prática é responsável por gerar uma superprodução e consumo desenfreados, além de contribuir para a poluição ambiental e de servir como pretexto para a implementação de trabalhos análogos à escravidão nas empresas terceirizadas.

Para garantirem aos seus clientes os preços baixos e mais acessíveis, as etapas de produção das peças e a matéria-prima também devem ter seus custos reduzidos, o que leva ao uso de materiais como as fibras sintéticas, que demoram cerca de 200 anos para se decomporem e que, ao entrarem em contato com a água durante a lavagem das roupas, soltam partículas de plástico nos mares e oceanos, prejudicando tantos os animais marinhos quanto as pessoas que consomem a água do local.

Além dos efeitos diretos ao meio ambiente, esse baixo custo de produção e de venda acarretam numa baixa qualidade das peças vendidas e, consequentemente, aumentam os descartes, a geração de lixo e fazem com que o consumidor sinta a necessidade de repor aquela peça. Esse efeito em cadeia é um dos principais problemas causados pelas marcas de fast fashion, principalmente a Shein, que de acordo com o cálculo da Caixin em cima dos números fornecidos pelo aplicativo da loja, cerca de 30 mil novos modelos de peças foram lançados apenas em uma semana, evidenciando cada vez mais essa superprodução.

Já sobre a clareza da marca, não é possível recolher informações precisas sobre a extensão da cadeia de produção, nem sobre quem produz as peças quando entramos no site da loja e, apesar do site mostrar que a empresa está alinhada com “os padrões rígidos trabalhistas estabelecidos pelas organizações internacionais”, a mesma não afirma se realmente possui a certificação da norma. Esses fatores acabam criando uma grande desconfiança entre os consumidores que se preocupam com as atitudes da marca com o meio ambiente e a sociedade.

Porém, é importante destacar que é compreensível o consumo dos produtos oferecidos pela Shein, justamente pelos preços acessíveis à população e pelos lançamentos que seguem as tendências mais atuais. Isso faz valer do interesse de cada um a real necessidade e disponibilidade de continuar como clientes na loja, o que resulta em aceitar as consequências dessa alta demanda na nossa vida a longo prazo.




Referências:


ELLE. Thiago Andrill. Por trás do sucesso da Shein. Disponível em: https://elle.com.br/moda/por-tras-do-sucesso-da-shein . Acesso em: 21/08/2021.


Folha de S. Paulo. Flynn Murphy e Matthew Walsh. Shein: o misterioso app de fast fashion chinês que desafia o Ocidente. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/06/shein-o-misterioso-app-de-fast-fashion-chines-que-desafia-o-ocidente.shtml . Acesso em: 21/08/2021.


Jornal da USP. Gustavo Zanfer. O modelo Fast Fashion de produção de vestuário causa danos ambientais e trabalho escravo. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/o-modelo-fast-fashion-de-producao-de-vestuario-causa-danos-ambientais-e-trabalho-escravo/ . Acesso em: 21/08/2021.


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