Dia Internacional da Mulher: dia de luta

Atualizado: 10 de mar. de 2021

Por Ana Flávia Brandão


Hoje, 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Não é um dia apenas para ser celebrado, mas para lutar pelos nossos direitos e lembrar daquelas que foram e ainda são importantes para a nossa história.


Cada vez mais mulheres têm questionado a distribuição de flores e bombons. O problema não está em dar presentes, mas sim em tirar o foco da luta histórica delas por direitos e oportunidades.


Como e por que surgiu o dia?

A data foi instituída pela ONU no ano de 1975 em homenagem à luta e às conquistas das mulheres. A escolha do dia 8 de Março por sua vez, está relacionada com a greve das operárias russas de 1917, movimento que colaborou para o início da Revolução Russa. Nesse dia, um grupo de operárias saiu às ruas para protestar contra a fome e a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

A história do dia é marcada por lutas. Atualmente, a data também é marcada por protestos nas principais cidades do país, com reivindicações sobre desigualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher. A Marcha Mundial das Mulheres (MMM) surgiu em diversos países no dia 8 de março de 2000. Até hoje esse movimento feminista é responsável por organizar ações coletivas em todo o mundo.


Movimento pra quem?

O movimento feminista foi responsável por várias conquistas para as mulheres ao longo da história, como o direito à educação, ao trabalho digno e remunerado e ao voto, por exemplo. Mas é importante lembrar que o feminismo não é igual para todas as mulheres e as pautas devem abraçar todas essas questões. Cada uma possui as suas lutas que dependem do local e as políticas de onde vivem, religião, cor da pele, orientação sexual, classe social e outros fatores.

Como diria a escritora Audre Lorde,

“Não serei livre enquanto alguma mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”.

É difícil imaginar um movimento que não paute as questões das mulheres negras e mulheres trans como urgentes ou que queira unificar a terminologia “mulher”, sem considerar diversos recortes. O nome disso é interseccionalidade e ela é muito necessária.


O que os homens podem fazer?

Os homens também têm papel na busca por igualdade e condições melhores de vida das mulheres. Entre algumas atitudes que eles podem fazer para auxiliar esse processo podemos citar:

  • Dividir igualmente os afazeres domésticos

  • Exercer a paternidade plena

  • Respeitar mulheres em posições de poder e em espaços majoritariamente masculinos

  • Reconhecer e abrir mão de privilégios

  • Confrontar atitudes machistas e/ou misóginas nos círculos de amizades


Mulheres que fizeram história

Além de lutar, hoje é dia de lembrar de mulheres que fizeram história e inspiram muitas outras todos os dias.

Marie Curie - Fonte: Desconhecido/Dom Total


Marie Curie, cientista e professora universitária, foi a primeira mulher a lecionar na Universidade de Paris e a primeira pessoa a ganhar o Prêmio Nobel em duas ocasiões: o Prêmio Nobel de Física em 1903 e o Prêmio Nobel de Química em 1911.


Nina Simone - Fonte: Jack Robinson/Produzindo Cultura


Nina Simone foi compositora, cantora, pianista e ativista. Além de sua importante atividade musical, foi uma ativista dos Direitos Civis americanos. Suas letras contam as dificuldades pelas quais os afrodescendentes passavam e se tornaram hinos do movimento negro.


Frida Kahlo - Fonte: Nickolas Muray/Victoria & Albert Museum/BBC News Brasil


Frida Kahlo foi uma pintora surrealista do século XX. Como explica Sônia Maluf,

“A vida e a obra de Frida são elementos que colocam sob tensão a tradicional condição da mulher. Alguns autores consideram que o feminismo está presente em sua obra não de forma referencial, mas através da antecipação do que se tornou um lema feminista após os anos 1960: 'o pessoal é político'.”

Rachel Carson - Fonte: Alfred Eisenstaedt/National Portrait Gallery, Smithsonian Institution

Rachel Carson foi uma bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista norte-americana. Suas obras são importantes para a formação da consciência ambiental moderna. Em seu livro Silent Spring (Primavera silenciosa) de 1962, ela questiona o uso absurdo de pesticidas químicos e os seus efeitos sobre a natureza, os animais e humanos. Rachel recebeu muitos prêmios e homenagens póstumas: foi incluída no National Women’s Hall of Fame em 1973 e em 1980 lhe foi concedida a Medalha Presidencial da Liberdade.


Malala Yousafzai - Fonte: Simon Davis/DFID/Agência Brasil

Malala Yousafzai é escritora e ativista política. Realizou um discurso na ONU em defesa da educação infantil, ganhou vários prêmios internacionais, lançou livros e criou o Fundo Malala para financiar a educação feminina. Foi agraciada em 2014 com o prêmio Nobel da Paz sendo a pessoa mais jovem a recebê-lo.


Raimunda Putani Yawnawá - Fonte: Michal Muller / Women Visionaries


Raimunda Putani Yawnawá e sua irmã Kátia foram as primeiras mulheres da sua tribo a se oferecerem para se tornarem pajés, se tornando uma espécie de embaixadora da cultura Yawnawá. Raimunda Putani recebeu o reconhecimento do Senado brasileiro ao ser distinguida com o Diploma Mulher Cidadã Bertha Luz.


Dilma Rousseff - Fonte: Roberto Stuckert Filho/Folha de Pernambuco


Dilma Rousseff foi a primeira mulher brasileira a presidir o país e tem participação ativa na política desde os 16 anos quando ingressou na luta armada contra a ditadura militar, onde sofreu com a repressão do regime. Em 2010 se elegeu presidente (ou presidenta como prefere ser chamada) do Brasil, tendo sido reeleita em 2014. Seu governo deu continuidade a política do governo antecessor através de programas de assistência social e incentivo ao acesso à educação como “Bolsa Família”, “Minha Casa, Minha Vida”, “ProUni”, “Ciência sem Fronteiras”, entre outros.


Marielle Franco - Fonte: Renan Olaz/CMRJ / BBC News Brasil


Marielle Franco é reconhecida internacionalmente pela formulação de projetos de leis e pautas em defesa dos direitos da população LGBTQIA+ e das mulheres pretas e faveladas. Se estivesse viva em 2020, Marielle Franco seria uma das 7 mulheres e a única mulher negra entre os 51 vereadores do Rio de Janeiro.


Fontes:


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