Consumo consciente e sustentável

Atualizado: 4 de mar. de 2021

Por Felipe Henriques e Rafael Eudes


Buscando “cultivar o gosto”, que se relaciona ao lucro máximo e um aumento crescente em vendas, companhias buscam reproduzir estilos de vidas ilusórios aos seus consumidores. Assim, diversas marcas transmitem os valores da classe dominante, seu modo de vida, para servirem como parâmetros e normas de conduta para uma boa reputação, que deveria ser almejada e tomada com parâmetro por todas as classes sociais.


Para a consolidação da sociedade de consumo foram fabricados e expostos produtos acessíveis a todas as classes sociais, proporcionados pela produção em larga escala, pela diferenciação de materiais e acabamento e pela venda a crédito, tornando, de fato, consumo e felicidade como princípio e fim. Mudar e renovar, diferente de conservar, é um traço identitário das sociedades contemporâneas, um momento histórico marcado pela desqualificação da tradição, pela superação do passado.


Frente a sérias crises socioambientais será que o american way of life* pode funcionar?*é a expressão aplicada a um estilo de vida que funcionaria como referência de autoimagem para a maioria dos habitantes dos Estados Unidos da América.


Um desenvolvimento sustentável requer um consumo sustentável!


Isso significa que o fornecimento de serviços e de produtos devem preencher as necessidades básicas e reais, trazendo maior qualidade de vida. Ao mesmo tempo, que se diminua o uso de recursos naturais e de substâncias tóxicas, assim como as emissões de resíduos e de poluentes durante o ciclo de vida do serviço ou do produto.


Em documento a Global Footprint Network, organização não governamental que calcula o “Dia de Sobrecarga”, informou que em 2019 o dia em que o consumo de recursos naturais ultrapassa a capacidade de regeneração dos ecossistemas foi 29 de Julho. Segundo esse informe, para sustentar o atual padrão médio de consumo da humanidade, a Terra precisaria ter 75% mais recursos


Isso significa que em menos de sete meses a humanidade esgotou a cota de recursos naturais disponíveis para o ano inteiro. Esses dados apontam para a urgência de se investir na redução do consumo e em ter claro que produto sustentável é o que já existe, cuja renovação não pode mais se dar na escala adotada ao longo do século XX e em constante crescimento.


A redução do consumo é uma condição para um mundo efetivamente sustentável. Isso só pode ser alcançado se houver entendimentos entre produtores e consumidores, pois o consumo sustentável implica um modo de produção empenhado em minimizar desequilíbrios socioambientais em todo o ciclo de vida de um produto, da geração ao uso, reaproveitamento e descarte.


Trata-se, portanto, da formação de uma nova ética no consumo, que tenha clareza de que consumo sustentável significa consumir menos.


A educação para o consumo sustentável sem dúvida alguma é parte desse processo. Assim, é necessário investir em uma educação que favoreça a sustentabilidade, o que requer a mudança de paradigmas educacionais e o caminho em direção a uma educação fundada no pensamento crítico e no questionamento do mundo, ao invés da transmissão passiva de informações sobre questões ambientais e éticas.


Um dos principais desafios é o de conseguir a mudança de hábitos, valores e atitudes, muito mais do que encontrar soluções técnicas. Isso não é nada fácil, pois implica reconhecer que as formas de consumo não são sustentáveis.


Referências


ZANIRATO, SÍLVIA HELENA, & ROTONDARO, TATIANA. (2016). Consumo, um dos dilemas da sustentabilidade. Estudos Avançados / Global Footprint Network

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