A desigualdade ambiental durante a pandemia de COVID-19

Atualizado: 4 de mar. de 2021

Por Giulia Folena


Com o início da quarentena, devido ao aumento no número de casos de covid-19, apelos como “fique em casa!” e “lave as mãos!” cresceram nas redes sociais, mas como falar de reclusão e higiene básica para os grupos mais vulneráveis economicamente que enfrentam problemas estruturais mesmo antes da pandemia? De acordo com dados do Painel Saneamento Brasil cerca de 34,7% da população não tem acesso a saneamento básico no estado do Rio. ⠀


Um estudo publicado no dia 3 de maio pelo observatório das favelas indicou um índice de mortalidade da doença contrastante nos bairros Ipanema (8,7%) e Leblon (5,4%) e nas favelas de Vigário Geral (20,6%) e Maré (20%) mostrando que a covid-19 não é igual para todos, mas é mais devastadora para os mais pobres. Além de combater o Sars-CoV-2 a periferia carioca ainda precisa se preocupar com a política violenta do governador Wilson Witzel que assassina e persegue a população preta como pudemos ver no caso denunciado recentemente do jovem João Pedro. ⠀

Também a população indígena tem sofrido com a falta de assistência, como vem levantando suas lideranças, e como indica o recente relatório publicado pela Fiocruz demonstrando a preocupação com a chegada da doença a essas comunidades e o seu impacto, já que o índice de letalidade da população é de 6,5% enquanto para os povos indígenas 14,5%*. Além disso ainda precisam lutar contra as tentativas desesperadas de alguns parlamentares em votar durante a pandemia a PL2633, antiga MP 910 conhecida por MP da grilagem, que prejudica a demarcação de suas terras. ⠀

Apesar de o sentimento de solidariedade ter aumentado para com esse grupos, por que nos contentamos em realizar gestos de caridade, seja doando de forma independente ou por meio de mutirões organizados por artistas e organizações, e não questionamos o sistema econômico que nos trouxe ao cenário de desigualdade que foi acentuado durante esta pandemia? O Brasil se encontra na segunda posição de maior concentração de renda do mundo* e com 20% da fortuna dos dois homens mais ricos do país* seria possível pagar o auxílio emergencial de 600 reais a mais de 53 milhões de famílias!

Este cenário pandêmico nos mostra que não é possível construir um Brasil mais justo sem combater esse sistema econômico que é sustentado nas desigualdades, ficando para nós a responsabilidade de tomar lado nessa luta por dignidade e respeito às trabalhadoras e trabalhadores do Brasil que hoje se arriscam para ter acesso ao básico. Se puder fique em casa, sempre que der combata a desigualdade social.


Referências


  • Ministério da Saúde

  • RDH/2019 – ONU

  • Forbes



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