Veganismo é apenas para quem tem dinheiro?

Por Ana Flávia Brandão


O veganismo, segundo definição da Vegan Society, é um modo de viver que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra os animais - seja na alimentação, no vestuário ou em outras esferas do consumo.


PF (Prato Feito) Vegano - Foto: Reprodução/Fonte: Vegana Prática

Uma das principais questões sobre o veganismo é quanto custa ser vegano e se esse estilo de vida é realmente mais caro e elitista. A verdade é que existem sim produtos com preços muito elevados, mas é possível ser vegano gastando pouco ou até menos que o estilo de vida “padrão” da maior parte da população. A ideia de que “ser vegano é caro” tem muita relação com o mercado de produtos industrializados que não necessariamente são essenciais para a rotina. Falando sobre a alimentação, podemos tomar como exemplo as grandes empresas que veem nessa nova demanda uma oportunidade de expansão. Elas investem nos produtos que buscam imitar carnes, como hambúrguer, linguiça, almôndegas e carnes de frango, mas que são “plant-based”, ou seja, à base de vegetais.

Uma alimentação vegana acessível consiste no consumo de alimentos industrializados básicos e utilizados no dia a dia como arroz, feijão, macarrão, óleo, sal, açúcar, legumes, frutas e verduras que podem ser comprados em feiras onde os preços são mais em conta que nos supermercados.

A troca do modo de consumir também pode ser vantajosa do ponto de vista da saúde: a alimentação vegana inclui mais legumes, verduras, frutas e grãos ricos em nutrientes na rotina, além de auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. É importante ressaltar a importância do acompanhamento por um profissional adequado durante todo o processo para evitar possíveis problemas de saúde relacionados à falta de substâncias essenciais como proteínas e vitaminas.

Como o veganismo não se restringe apenas à alimentação, as mudanças na forma de consumir outros produtos como roupas e cosméticos também podem ser feitas sem gastar muito. Os tecidos de origem animal como lã, couro e seda são bem mais caros que peças com tecidos sintéticos ou com fibras naturais. Sobre os cosméticos, é possível encontrar em mercados e farmácias marcas com produtos veganos por um preço acessível para fazer a substituição. Além disso, existem muitas marcas artesanais que trabalham com produtos sem crueldade animal e, comprando diretamente de quem faz, você pode apoiar o comércio local.

Para espalhar essas informações, algumas pessoas produzem conteúdo na internet para quebrar esse tabu de que ser vegano é caro e difícil.

  • O perfil Vegano Periférico é um ótimo exemplo de como o veganismo é acessível, mostrando opções de refeições no dia a dia, sem ignorar as causas sociais e políticas que o movimento também abrange.

  • No seu canal do Youtube, chamado Vegana Bacana, Tayná Mota compartilha receitas de como fazer leites, carnes e queijos vegetais, opções de marmitas para uma semana, ao mesmo tempo que fala sobre o veganismo e saúde. Em um dos seus vídeos ela mostra como é possível ser vegano gastando pouco com as compras da semana.

  • No blog AriVegan e no Instagram @ariveganbeauty, a blogueira vegana Ariane Ficher fala sobre a crueldade e exploração animal no mundo da beleza. Ela também compartilha informações sobre cosméticos e maquiagens veganas, desde as mais acessíveis, que podem ser encontradas em qualquer mercado ou farmácia até marcas famosas no mercado.


Referências

Sociedade Vegetariana Brasileira. Vegetarianismo. Disponível em: https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e. Acesso em 03/06/2021.

Minha Vida. Tatiane Gonsales. Veganismo: como aderir, benefícios e cuidados necessários. Disponível em: https://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/34613-veganismo. Acesso em 03/06/2021.

Portal Veg. É caro ser vegano? Influenciadores mostram que ser vegano não é “coisa de gente rica”. Disponível: https://www.portalveg.com.br/noticias/ativismo/e-caro-ser-vegano-influenciadores-mostram-que-ser-vegano-nao-e-coisa-de-gente-rica/. Acesso em 03/06/2021.

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