Neri Oxman e o futuro das cidades com a bioarquitetura


Por Luiza Fernandes


A série “Abstract: The Art of Design” na Netflix, mostra em cada episódio, as ideias e projetos inovadores de diferentes designers ao redor do mundo e como elas influenciam em todos os aspectos da nossa vida. No episódio 2 da segunda temporada, o destaque vai para a designer Neri Oxman, israelense formada em arquitetura e atual professora do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e mostra um pouco dos seus últimos trabalhos e estudos com a bioarquitetura.

Primeiramente, é importante entender o que é a bioarquitetura. Ela é um estilo de arquitetura que busca proporcionar beleza, funcionalidade e conforto às construções, integrando-as de maneira harmoniosa com a natureza. No contexto do episódio assistido, a bioarquitetura se encaixa no estudo de diferentes materiais naturais e biodegradáveis, levando em consideração as suas propriedades, de onde vem e seu nível de resistência, para que sejam utilizados nos próximos projetos.

Ao unir arte, arquitetura, tecnologia, biologia, engenharia de materiais e sustentabilidade, Oxman foi capaz de tornar real suas diferentes criações, explorando e desafiando cada vez mais esse universo que está se tornando mais presente na nossa maneira de construir e projetar.

Um dos seus projetos abordados no episódio foi o da Aguahoja (2018), que consistiu na exibição de um pavilhão e uma série de artefatos construídos a partir de biocompósitos (componentes moleculares) encontrados em diferentes camadas da natureza, como a quitosana, a celulose, a pectina e a água, fazendo parte de um processo de produção natural que não possui desperdício. Após a fabricação digital desses materiais, eles ficam suscetíveis a alterações em sua aparência e comportamento em resposta ao calor e umidade do ambiente em que está exposto, estando sempre em constante diálogo com o meio ambiente.

Outra característica interessante desses biocompósitos é que, ao serem expostos à chuva, eles se degradam programaticamente, restaurando seus componentes constitutivos ao seu ecossistema natural e continuando assim, o ciclo natural que permitiu a sua formação.


Pavilhão Aguahoja / Reprodução: ArchDaily.

Por conta de estudos como esses que são dirigidos por Oxman, somos capazes de aprender e perceber que existe sim uma vasta gama de opções sustentáveis para a engenharia e o design, com processos construtivos que são saudáveis para o meio ambiente e que geram estruturas seguras e resistentes, uma vez que o pavilhão Aguahoja possui 5 metros de altura.

Além disso, o descobrimento de novos materiais que são mais sustentáveis que os que utilizamos atualmente e melhores que eles - quando analisados as suas propriedades e sua finalidade - nos garante uma transformação positiva na formação das cidades do futuro.

Por fim, o episódio mostra como a natureza pode contribuir de forma harmoniosa e fazer parte da arquitetura e da engenharia como um todo, tanto em questões estéticas como principalmente em questões estruturais, respeitando sempre os seus limites e o quanto podem prover para que o futuro do nosso planeta seja preservado. Dessa forma, Neri Oxman consegue superar os limites entre arte, ciência e ambientalismo, divulgando a importância de se pensar na bioarquitetura e nos seus benefícios a longo prazo.



Referências:

ABSTRACT: The Art of Design. Netflix, 2017. Temporada 2, episódio 2.


LED, Brilia. A bioarquitetura de Neri Oxman e por que ela pode mudar o mundo, 2021. Brilia. Disponível em: https://blog.brilia.com/a-bioarquitetura-de-neri-oxman-e-por-que-ela-pode-mudar-o-mundo/ . Acesso em: 31/01/2022.


SHEN, Yiling. Neri Oxman e MIT desenvolvem biocompósitos programáveis para fabricação digital, 2018. ArchDaily. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/895072/neri-oxman-e-mit-desenvolvem-biocompositos-programaveis-para-fabricacao-digital . Acesso em: 31/01/2022.

9 visualizações0 comentário