Greenwashing e a Pressão Social

Por Déborah Ribeiro de Alvarenga


Entenda o Caso das Embalagens de delivery do IFOOD no BBB21


Lanche do IFood - Foto: reprodução/Instagram BBB21


A IFood, empresa de entregas de comidas, além do maior aplicativo de celular nesse ramo, apresentou uma mudança importante nas embalagens usadas no “delivery” durante um episódio do Big Brother Brasil 21. A participante Carla Diaz recebeu de presente um lanche especial preparado pela marca, no qual podemos ver que o plástico usado nas embalagens foi trocado por papel. Isso aconteceu devido à pressão de algumas pessoas na rede social Twitter, uma massa se uniu para pedir à empresa - entre muitas outras - que fizesse essa troca com o intuito de diminuir o impacto ambiental causado pelo plástico. Essa ideia foi aceita e vendida para o público como uma solução sustentável e como se a IFood estivesse completamente preocupada com as questões ambientais. Porém, essa atitude é uma máscara para a atual problemática relacionada ao descarte do lixo no Brasil, podendo ser caracterizada como um verdadeiro “Greenwashing”.


A expressão “greenwashing”


Essa expressão pode ser traduzida ao pé da letra do inglês como “lavagem verde”, mas, para facilitar a nossa compreensão, seria melhor traduzir como "maquiagem verde”. Isso porque ela é usada para dizer quando empresas estão utilizando técnicas de marketing enganosas, pois só mostram um apoio às questões ambientais na frente das câmeras, tomando várias atitudes irresponsáveis em relação ao meio ambiente nos bastidores. Em outras palavras, elas vendem a marca como “ecofriendly” (amigas da natureza) para atrair mais consumidores, mas não agem de acordo com isso na maioria das vezes. Com essa explicação, já dá para ter uma noção de onde quero chegar…

Essa é uma prática presente em muitas empresas do Brasil e do mundo. Uma pesquisa realizada em 2015 pela Market Analysis confirmou que, naquele ano, mais de 3.000 produtos brasileiros usavam apelos verdes, e esse número só tenderia a crescer. A maioria deles estava ligada a cosméticos ou higiene e, em segundo lugar, estavam ligados a casa, jardim e construção. Contudo, apenas 15% deles apresentavam uma certificação válida de que aquilo era, de fato, bom para o meio ambiente. Isso mostra como o “Greenwashing” atinge cada vez mais o país, sendo um total desrespeito com o consumidor, o qual pensa estar apoiando uma marca sustentável, mas só estaria promovendo mais desastres ambientais sem saber.


Por que a Ifood fez um “Greenwashing”?


Apenas trocar o plástico por papel não resolve o problema. Isso porque ainda há a emissão de gás carbônico - gás extremamente poluente - em várias etapas da entrega, principalmente no transporte do alimento. Além disso, o acúmulo de lixo ainda acontece após o consumo, pois não foram criadas estratégias efetivas de reciclagem das caixinhas e copos. Vale lembrar que o dono do restaurante ainda pode optar pelas embalagens e talheres de plástico se preferir.

Porém, não podemos fazer uma revolta contra a IFood por conta desses erros, pois seus administradores estão procurando, aos poucos, modos de solucionar os problemas. A expectativa da empresa é ser livre de carbono até 2025, optando, por exemplo, por veículos elétricos ao invés das motocicletas tradicionais. Devemos lembrar também que o aumento de preços de produtos sustentáveis durante a pandemia e a falta de matéria-prima dificultam o engajamento de comerciantes nessa questão. Hoje em dia, o dono do estabelecimento pode usar embalagens feitas de mandioca, que são totalmente biodegradáveis, mas o fato disso ser uma escolha ainda é problemático. O que nós podemos fazer é cobrá-los para que o plano de redução de impactos ambientais seja cumprido dentro do prazo e seja realmente efetivo.


Como saber se um produto é sustentável?

Existem algumas maneiras de saber se você está contribuindo para o Greenwashing ou não:

A primeira delas é ficar atento às informações divulgadas, porque a marca muitas vezes só diz ser sustentável, mas não explica o motivo disso. Além disso, ela pode divulgar dados que não foram comprovados cientificamente e ainda necessitam mais pesquisa para serem validados.

A segunda forma é a verificação do rótulo. Nele pode estar presente um selo comprovando sua atuação na diminuição de problemas ambientais, como FSC, IBD, PROCEL, Ecocert ou ISO 14021. É importante ter conhecimento dessas certificações, pois muitas empresas chegam a criar selos falsos e os colocam na embalagem para enganar o consumidor.

Por último, conheça a história por trás da empresa. É comum uma loja de roupas criar coleções “0 algodão”, por exemplo. Porém, se apenas essa linha de produtos tiver algum intuito de ajudar o ambiente, fique desconfiado, pois pode ser uma enganação ou uma máscara para problemas “debaixo dos panos”.

Apesar do Greenwashing parecer uma solução, a princípio, pode piorar ainda mais os impactos ambientais negativos. Por isso, precisamos abrir os olhos para essa prática e cobrar uma posição respeitosa das grandes empresas.



Referências


RIBAS, Raphaela. Yahoo Notícias. IFood lança projeto para reduzir uso de plástico e quer ser neutro em emissão de carbono até 2025. Disponível em: iFood lança projeto para reduzir uso de plástico e quer ser neutro em emissão de carbono até 2025 (yahoo.com). Acesso em: 30/03/2021


Neilpatel. Greenwashing: o que é e como não cair nele. Disponível em: Greenwashing: O Que É e Como Não Cair Nele (+7 Exemplos) (neilpatel.com). Acesso em: 30/03/2021


Market Analysis. Greenwashing afeta 8 em cada 10 produtos vendidos no Brasil, e o uso de apelos ambientais pelas empresas torna-se mais estratégico e menos óbvio. Disponível em: Greenwashing-no-Brasil_20151.pdf (marketanalysis.com.br). Acesso em: 31/03/2021


Inova Social. GREENWASHING: O QUE É E COMO EVITAR CAIR NELE?. Disponível em: Greenwashing: o que é e como evitar cair nele? • InovaSocial. Acesso em: 31/03/2021


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