Carros tradicionais versus “eco” carros

Atualizado: 4 de mar. de 2021

Por Julia Coutinho

Arte: Larissa Silva


No Brasil, há um carro para quatro brasileiros. Essa concentração é maior em centros urbanos onde deslocamentos diários para trabalho ou lazer são mais comuns e assim, uma maior parte da população opta por adquirir um automóvel. Só na cidade do Rio de Janeiro há 3,2 milhões de veículos oficialmente registrados (DETRA-RJ) em uma população de 6,7 milhões (IBGE).


Veículos automotivos são tradicionalmente movidos a combustão interna alimentados à gasolina (carros, motos) ou diesel (ônibus e caminhões) e, em seu uso, liberam vários gases poluentes e tóxicos como CO, CO2, NOx, SO2, H2S. O motor à explosão e sua mecânica complexa de engrenagem, escapamento e frenagem geram poluição sonora nas cidades. Os compostos de enxofre e nitrogênio liberados no ar se juntam à água nas nuvens e geram chuva ácida que provoca uma degradação mais rápida das estruturas a ela expostas. Monóxido e dióxido de carbono fazem parte dos gases do efeito estufa e sua maior concentração na atmosfera leva ao aumento da temperatura do ar gerando bolhas de calor em centros urbanos e contribuindo globalmente para mudanças climáticas.


Em busca de honrar o Acordo de Paris firmado na COP-21, com objetivo de limitar o aquecimento do planeta a até 2°C, vários países estabeleceram metas de emissão de carbono e a ação em cidades (longe do desmatamento das florestas e emissões geradas pela indústria e pecuária), principalmente na Europa, está voltada para carros mais sustentáveis e a versão atualmente mais popular deles são os elétricos.


Mas, afinal, o que são carros elétricos?


Com os primeiros protótipos desenvolvidos na década de 1990, hoje todas as grandes montadoras possuem ao menos um modelo elétrico. Esse tipo de veículo é alimentado com energia elétrica (a mesma que sai das tomadas das nossas casas) que é armazenada em uma bateria (similar a do seu celular) que alimenta o motor sem emissão de gases.


O custo de abastecimento com energia elétrica pode chegar a até um terço de se fosse com gasolina, a eletricidade em muitos lugares é mais barata que o combustível. O motor por não ser a combustão praticamente não faz barulho diminuindo a poluição sonora das cidades. A mecânica destes modelos é muito mais simples, eles possuem bem menos peças (não tem pistões e escapamento, por exemplo) e, com isso, sua manutenção e conserto são bem mais fáceis. Bem, se o carro tem menos peças ele será mais leve, certo?


Infelizmente, isso não é verdade. O peso desses veículos é igual ou maior do que os tradicionais pois suas baterias são muito pesadas. Elas foram por muito tempo o grande empecilho do desenvolvimento de carros elétricos e, até hoje, as grandes inovações dos modelos são focadas nessas peças. Quanto mais energia as baterias armazenam mais autonomia terá o carro, portanto, o desafio é armazenar mais energia sem aumentar o tamanho e o peso das baterias.


As tecnologias atuais utilizam baterias de íons de lítio que, em sua maioria, dão autonomia de 300 km (mais do que suficiente para se deslocar dentro de uma cidade mas insuficiente para fazer uma viagem Rio-São Paulo) e demoram oito horas para fazer uma recarga completa. Talvez no futuro elas sejam de grafeno, um material mais leve, que consegue armazenar mais energia, mas que ainda está em fase de desenvolvimento.


Cuidado! Não emitir gases não significa que elétricos sejam sustentáveis


De acordo com o Conselho Americano para uma Economia de Energia Eficiente são utilizados os seguintes requisitos para considerar um veículo sustentável: economia de combustível, emissões de carbono, impacto global ambiental, manufatura e fonte de energia utilizada.


A energia elétrica utilizada para abastecer o carro elétrico deve vir idealmente de uma fonte renovável (hídrica, solar, eólica) pois, se vir de uma fonte fóssil, a utilização do carro continuará emitindo gases, só que indiretamente.


O lítio e alguns outros metais presentes nas baterias são extraídos em algumas localidades específicas dos planetas e depois transportados para as fábricas de baterias, montadoras,

consumidores. Deve-se tomar cuidados com os impactos gerados pela extração e transporte e, ao final de sua vida útil no veículo, como dar outros usos a ela ou reciclar/reutilizar seus componentes.


Elétricos no Brasil


Carros elétricos disponíveis no mercado brasileiro custam ao menos o dobro do valor de um carro popular. Isso se deve ao fato da maioria deles serem modelos importados e não haver incentivos específicos para carros elétricos. Em países como Portugal, França, Espanha, Alemanha e Inglaterra há diversos incentivos como diminuição de impostos e taxas para incentivar a compra destes modelos e limites de emissões impostos às montadoras.


Outras opções

Carros movidos a hidrogênio são também carros elétricos mas a eletricidade é gerada no próprio carro que ao invés de bateria possui um tanque para armazenamento de H2 que, quando o carro é ligado, entra em contato com O2 do ar gerando energia para o motor e liberando vapor de água. O gás hidrogênio é tradicionalmente obtido de material fóssil pela reforma de metano, mas também pode ser obtido através do biogás ou pela eletrólise da água. Este último processo requer muita energia que deve ter origem em uma fonte renovável para que o gás gerado seja considerado “verde”. Há dificuldade na popularização deste modelo devido ao custo de obtenção e a dificuldade de armazenamento e distribuição do gás que é inflamável.

O carro movido à energia solar possui painéis fotovoltaicos acoplados ao teto e as janelas que geram energia que fica armazenada em baterias de modo que é possível realizar deslocamentos noturnos e não há necessidade de conectar o automóvel a uma estação de carregamento para recuperar as baterias.


Os híbridos possuem dois motores: um elétrico e outro à combustão. O que lhe dá maior autonomia comparado ao elétrico e menor consumo de combustível comparado ao tradicional. O motor à combustão é geralmente utilizado somente para recarregar a bateria utilizada pelo motor elétrico mas em alguns modelos também é acionado em momentos de grande demanda como em uma subida.


Particularidade do Brasil


18% dos combustíveis consumidos no Brasil são renováveis sendo os dois principais o etanol obtido a partir de cana-de-açúcar e o biodiesel a partir de gorduras animais e óleos vegetais. O Brasil é o segundo maior produtor do mundo de etanol e é o pioneiro na sua utilização como combustível desde a década de 1970. É utilizado na mistura da gasolina ou como combustível acabado em motores flex. As emissões de carbono geradas na queima do etanol são neutralizadas pelas plantações de cana de açúcar.

GNV disponível em algumas cidades do Brasil com Rio de Janeiro é um combustível mais barato que a gasolina e o etanol além de apresentar um maior rendimento km/l e emitir menos óxidos de nitrogênio, enxofre e dióxido de carbono.


Além do motor e do combustível

Algumas mudanças mais acessíveis em carros populares também tem grande contribuição para um carro mais ecológico. O sistema start & stop desliga o motor quando o veículo para em engarrafamentos ou sinais causando uma redução na emissão de CO2. A frenagem regenerativa recupera a energia cinética que seria perdida com a diminuição da velocidade para a bateria. As luzes de led em faróis e lanternas tem duração praticamente infinita e não esquentam, geram maior iluminação e consomem menos energia. Bancos, tapetes e

revestimentos de portas podem ser feitos parcialmente com materiais reciclados diminuindo a produção de novos plásticos.


Referências


Veículos elétricos opção de transporte mais sustentável. Autossustentável. Disponível em: http://autossustentavel.com/2019/02/veiculos-eletricos-opcao-de-transporte-mais-sustentavel.html

Vehicle Technology. ACEEE. Disponível em: https://www.aceee.org/topic/vehicle-technology

Global EV Outlook 2020. IEA. Disponível em: https://www.iea.org/reports/global-ev-outlook-2020

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